Parar de fumar é f… É difícil falar o primeiro “não”. Os primeiros “nãos” são sufocantes. Mas então começa a vir o alívio. A quantidade de “nãos” por dia vai diminuindo…
Até que um belo dia você acha que está livre. ACHA. Isso porque a quantidade de vezes que se tem que falar “não” diminui tanto que você até pensa em se dar ao luxo de fumar um cigarrinho socialmente. Mas sinto informar: 90% das pessoas que já foram viciadas não conseguem fazer isso. Eu mesma, já voltei 2 vezes por besteira – pelo “não” que fui incapaz de dizer.
A questão é que isso não se aplica só pra cigarro. Até onde me consta, os tratamentos para dependentes de qualquer tipo de substância (alcool, drogas) passam pela mesma coisa, e a superação sempre vem da mesma maneira: um dia de cada vez.
Mas vou mais além que isso: acho que isso se aplica pra qualquer vício – químico, psicológico, comportamental… Qualquer hábito não sadio que se tenha na vida.
Eis que nessa passagem toda, me descobri viciada em mais uma coisa: sonhar. Eu sonho muito. Aliás, as vezes minha realidade é tão diversa do que queria que me deito, fecho os olhos e penso em alguma coisa legal que poderia me acontecer. E vou divagando, monto várias hipóteses de como aquilo que pensei poderia acontecer.
Só pra ter uma idéia, quando era (bem) menor, lembro que conheci um menino em uma colônia de férias. Ficamos super amigos, etc, e um belo dia ele foi pra cima. Só que eu (na verdade, meus 11 anos) desviei, porque não sabia o que fazer. Eu gostava dele também, mas… Com 11 (e também 26) anos nós não sabemos muito da vida. Depois de alguns dias fomos embora sem que nada tivesse acontecido. Mas aquela cena reprisou umas 200 vezes nos meus sonhos acordada. E a próxima vez que eu o visse, idem. O que eu diria, faria, etc… Armei outros tantos planos mirabolantes… Mas no fim das contas, me preparei absurdamente pra uma situação que nem aconteceu. Eu nunca mais o vi.
O pior é que isso vale pra N coisas da minha vida… Eu sempre estou “overprepared” pra coisas que sequer acontecem.
Então reparei que minhas maiores decepções são exatamente por conta disso: eu sempre espero e sonho com aquilo que quero muito. E não acontece. Ou quando acontece, é bem menos fantástico do que eu esperava.
O grande problema é o seguinte: pra parar com vícios de substâncias, o segredo é falar “não” para alguma coisa. E a tal coisa é palpável, tem cheiro, gosto, etc. Em suma: você sabe o que está largando e sabe do que tem que ficar longe. Mas e pra parar de sonhar e sempre, SEMPRE se decepcionar? Como que faz pra dizer “não” para isso?