A (não só minha) vida em poesia

Não sei dançar

Fevereiro 26, 2009 · Deixe um comentário

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste. 
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria…
Abaixo Amiel! 
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.

Sim, já perdi pai, mãe, irmãos. 
Perdi a saúde também. 
É por isso que eu sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.

Uns tomam éter, outros cocaína. 
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.

Mistura muito excelente de chás…

Esta foi açafata…

- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex- prefeito municipal: 
Tão Brasil!

De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil…
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugêlê banzai!

A filha do usineiro de Campos 
Olha com repugnância
Pra crioula imoral.
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros… 
Mas ela não sabe…
Tão Brasil!

Ninguém se lembra de política…
Nem dos oito mil quilômetros de costa…
O algodão de Seridó é o melhor do mundo?… Que me 
[importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilós-
[tomos.

A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca. 
Eu tomo alegria!

 

(Manuel Bandeira)

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Azul

Fevereiro 15, 2009 · Deixe um comentário

For whatever comes on the way

I’ll just close my eyes

I need to pray for tomorrow

’cause today is almost gone

but this feeling is not

Tomorrow is all that I’ve got

Tomorrow is all that I’ve got

 

(Helena Margarido)

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E tuas maos foram minhas com (c)alma

Janeiro 27, 2009 · Deixe um comentário

Certas coisas são desenhadas pelo tempo

E se o tempo nao for certo,

certas coisas nao acontecem.

Outras são desenhadas por mapas,

aeroportos,

que unem e separam sem nunca sair do lugar

O problema é quando os dois erram

E quando tudo acontece fora do tempo e do espaço

E quando caso tudo fosse certo, o outro resto nunca teria sido.

A pior saudade é daquilo que não aconteceu

A pior dor é a de não ter feito

E se querer fosse a única verdade

E se a vaidade do espaço e do tempo não fosse tão absoluta

E se alguém pudesse viver de pensamento

E de sonho

Ai sim, existiria felicidade 

 

(Helena Margarido)

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About birds

Dezembro 5, 2008 · Deixe um comentário

Adoro ter sido abençoada com o dom de ficar feliz com pouco.

Ontem sai com uns amigos aqui em Lisboa. Em frente à estação Baixa-Chiado, mesmo ao pé de Fernando Pessoa, um japonês tocava “La Catedral” no violão: uma das músicas de violão clássico mais bonitas q eu conheço. Debaixo de chuva e do frio da noite, acho mesmo muita sorte ter ouvido a música do começo ao fim.

Então vim pra casa e sonhei. Um gordo comia um pote inteiro de nutela. Então olho pro céu e muitos, muitos, muitos pássaros migravam para o sul, passavam pelo céu. Foi então que descobri que morava no oeste.

Parece besteira, mas acordei leve leve…

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Volto Logo

Junho 7, 2008 · Deixe um comentário

Este post é só para informar que nos próximos 2 meses este Blog provavelmente ficará sem atualização, já que ESTOU DE FÉRIAS, finalmente! Devo passar este próximo tempo em um lugar onde internet é lenda urbana, rs!

De qualquer jeito, como despedida, deixo alguns pensamentos que tive nos últimos dias.

Não sou a pessoa mais paciente do mundo, nem nunca fui. Mas depois de tanto “tomar na cara”, aprendi que certas coisas temos que aguentar nessa vida. Hoje me considero uma pessoa milhões de vezes mais tolerante do que a minha natureza de fato me permitiria ser.

Acontece que tem uma coisa que eu não consigo ter paciência: pessoas carentes. Sabem aquelas pessoas que ligam 10 vezes por dia, mandam 50 mensagens e não saem do seu pé por nada no mundo? Então… Eu não sei lidar com isso. Esse tipo de pessoa me irrita ao ponto de me fazer ser mal educada.

Isso na verdade, porque não tenho o menor jeito com pessoas sem “desconfiômetro”. Aquelas pessoas incovenientes, que aparecem na sua casa sem serem convidadas, que se autoconvidam para qualquer programa que você diga que tem a intenção de fazer, que ficam dando palpite na sua vida apesar de você dar a entender mil vezes que ela não tem nada a ver com isso.

Odeio inconveniência.

Esses dias fui jantar com umas amigas e me aparece uma fulana bêbada querendo de qualquer jeito entrar na conversa. Não, ninguém conhecia ela. Aí a menina começa a perguntar para uma das minhas amigas o que ela achava do aborto. Minha amiga repetiu, educadamente, por mais de 10 vezes, que não gostava de discutir aborto, política e religião. Mas a fulana insistia… Foi quando eu, com a delicadeza de um hipopótamo disse “escuta, você não percebeu que ela não quer falar disso? Chega! Pára! Você está sendo inconveniente”. Ela ainda tentou argumentar, então soltei mais uns três “Chega!” e ela parou.

Isso me faz pensar uma coisa: eu estou errada? Quer dizer, eu deveria dar atenção cada vez que me ligam 10 vezes por dia ou minha postura “get a life e pare de me encher o saco” não tem problema? Isso faz de mim uma pessoa ruim por acaso?

Sei lá… As pessoas DEVERIAM ter desconfiômetro… Isso pelo menos faria com que elas perdessem menos tempo e gastassem menos dinheiro com ligações e mensagens…

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Bonitinha porém ordinária

Junho 2, 2008 · Deixe um comentário

Vento que trás saudade

De um outro lado do mar

E é tanta água, tento tempo

Tanto que de tanto ser vira pouco

Faz a saudade chegar

E passar pra não mais ser tanta

Me joga do cais, das pedras, do mar

Me lança, me arrebata

Me faz criança outra vez

Trás de volta os sonhos que me fez deixar do outro lado

Meu riso, que o choro vive sozinho

E até o pranto pode morrer de solidão

Traz a Maria, meu violão

Mata o tempo que ainda tem pra passar

Do mundo já sou, mas não é meu esse lugar

(Helena Margarido)

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Outrageous

Junho 1, 2008 · Deixe um comentário

(Até hoje não postei nada que fosse 100% biográfico, mas vou ter que fazer deste post uma exceção).

Quando estagiava no Itaú, em 2005, tinha 2 amigas insanas: Carla e Adriana. Foram elas que primeiro me falaram do quanto era legal ir para festas gay, porque a música em geral é ótima e ninguém fica pulando em cima de você. Entretanto, enquanto morava em São Paulo nunca consegui ir na “Loca”, “Trash 80´s” nem nenhum lugar semelhante – alguém sempre furava o programa.

Aqui, entretanto, moro com um gay francês (que é gente boníssima) e um dos nossos programas favoritos é ir na Trumps – balada gay de Lisboa com uma música excelente. Já perdi a conta de quantas vezes fomos lá, e em todas nos divertimos horrores.

Pois bem. Ontem resolvemos ir novamente – eu fui meio “arrastada” porque estava com sono, mas como são meus últimos dias em Lisboa até o 2o semestre resolvi aproveitar. Entramos, a proporção era de 100 homens para cada mulher como sempre e fomos pra pista onde a música boa estava rolando. Uma SAUNA, mas valia à pena – tocou até “Thriller” e “Saturday Night”, além de 50 músicas da Madonna e Kelly Mignone.

Eis que me chega um casal de 2 caras sem camisa dançando. Até aí tudo bem. Ficaram lá – e já achei que ia embora sozinha pra casa, se é que vocês me entendem. É quando um deles me fala: “Oi! Esse é meu namorado, mas eu só estou com ele porque ele me paga tudo. Já me deu uma casa não sei aonde, um carro, mas na verdade eu gosto de mulher. Eu sou hetero”.

Eu nem sabia o que falar. Soltei um “ahã” e continuei dançando com meu amigo.

O fulano, não contente, continuou: “Não liga pro meu namorado, ele é apaixonado por mim e está com ciúmes. Olha, se vc ficar comigo podemos aproveitar tudo que ele me dá e me paga”…

Fiquei BEGE. Sabe aquelas cenas que a gente acha que só existem em novela das 8? Então, minha sensação foi essa. Dei vários “chega pra lá” e o cara não saia de perto. E o namorado dele DO LADO!

Aí não aguentei mais e falei “escuta, vai lá com seu namorado vai. Eu tenho namorado, não estou interessada”. O cara não contente ainda me solta: “ah, mas vai dizer que não gostou de mim?”. Ai tive que usar da minha crueldade gallega devidamente herdada da Dona Jô e falei: “NÃO!”

Finalmente o cara foi embora. Essa lenga lenga deve ter durado uma hora acho, meu amigo estava quase socando o cara, tamanha a inconveniência.

E eu? Sinceramente não acreditava que isso pudesse ser verdade. Tipo, o cara é um gigolô na maior! Mas como diria o poeta, cada louco com sua mania… (só que não pra cima de moi, por favor…)

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Letras que eu não entendo (Parte I)

Maio 26, 2008 · 3 Comentários

Título alternativo: “Djavan – gênio ou estúpido?”

O legal de algumas músicas é que elas são tao bem cantadas e têm uma melodia tão legal, que ninguém presta atenção na letra… São vários casos, mas hoje cito um específico: Açaí, do Djavan.

Toda vez que toca, as menininhas ficam balançando a cabeça e fazer aqueeeeeeeela cara de apaixonadas… Suspiros, etc… Os caras não entendem, mas fingem tratar-se de alguma coisa bonita só pra abraçar as menininhas… E todo mundo fica feliz. Só tem um problema: “Açaí” é uma música romântica? Aliás, em outras palavras: o que essa música quer dizer?

Vendo a letra (e sem lembrar da melodia, por favor… Senão é cabeça pro lado, cara de felizinha… já sabem):

Açaí (Djavan)

Solidão de manhã,
Poeira tomando assento
Rajada de vento,
Som de assombração, coração
Sangrando toda palavra sã

A paixão puro afã,
Místico clã de sereia
Castelo de areia,
Ira de tubarão, ilusão
O sol brilha por si

Açaí, guardiã
Zum de besouro um imã
Branca é a tez da manhã

Bom, primeiro acho melhor fazer um glossário básico (e com isso tenho certeza que 99% das pessoas que ouvem a música não têm idéia do que ela quer dizer):

Glossário:

Afã: muita pressa; afobação, azáfama, sofreguidão, sentimento de aflição; ansiedade, inquietação

Clã: agrupamento familiar comum, a família

Tez: superfície fina de qualquer coisa, epiderme

Açaí: palmeira cespitosa de até 25 m (Euterpe oleracea), nativa da Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas e Brasil (AP, AM, PA, MA, ), de estipe anelado e frutos roxo-escuros de polpa comestível, assim como o palmito; açaí-branco, açaí-do-pará, açaizeiro, coqueiro-açaí, guaçaí, iuçara, juçara, palmeira-açaí, palmeira-jiçara, palmiteiro, palmito, piná, piriá, tucaniei, uaçaí. Etimologia: do tupi ïwasa’i ‘fruto que chora, isto é, que solta água.

Figuras de linguagem:

Aliteração (consonância) pela repetição dos sons de “S” na primeira estrofe (solidão, assento, som, assombração, coração, sangrando, sã),

Metáfora: clã de sereia, castelo de areia, ira de tubarão

Sinestesia: coração sangrando toda palavra

Onomatopéia: zum de besouro

Tem algumas outras, mas acho que essas são as mais importantes. Achei relevante fazer esse parênteses das figuras de linguagem porque elas são determinantes – o autor utiliza-se delas pra passar seu sentimento. A parte da aliteração, além de soar bem, tem a função de sugerir um ruído. A poesia simbolista usava muito dessa figura de linguagem para aproximar a poesia da música, o que pode ser o caso. Com relação às metáforas, sabe-se bem que é estilo marcante do Djavan utilizá-las de um jeito nada convencional, assim como alguns versos. Isso marca o estilo do artista. Mas, parênteses à parte, vamos pra interpretação.

Interpretação

As duas primeiras estrofes podem sim ser entendidas com um mínimo de esforço. O glossário acima e a explicação de algumas das figuras de linguagem devem ajudar. Faço aqui a minha interpretação, o que não significa que essa seja a única resposta – é somente o que eu acho disso tudo.

A primeira estrofe sugere um estado de calmaria, de solidão, subitamente modificado. Trata-se de um incômodo, de algo misterioso que de uma hora pra outra faz “sangrar” toda sanidade.

Na segunda estrofe, fica claro que o que rompeu com o status quo foi a paixão, mística como uma família de sereias, fulgás como um castelo de areia, intensa como ira de um tubarão – mas que não deixa de ser uma ilusão, algo que na verdade não existe. A explicação disso está no verso “o sol brilha por si” – a paixão é vista como “puro afã“, ou seja, como uma afobação muito grande mas que não é natural, espontânea. Daí dizer que a paixão é uma ilusão – é um estado de pura afobação, fora do comum, do natural, do ordinário. “O sol brilha por si” quer dizer que as coisas acontecem naturalmente, sem que seja necessária qualquer interferência, qualquer inquietação – na verdade, esse verso é a exata oposição à paixão, conforme descrita na letra.

Agora, o refrão – essa é uma incógnita pra muita muita muuuuuuuita gente. Depois de fazer toda explicação acima pra minha irmã, perguntei a ela o que achava que significava o refrão. A resposta foi “ué, é simples: o refrão é inexplicável, como a paixão”. Apesar de ter achado a explicação genial, acho que dá pra tirar alguma coisa do que foi escrito nessa estrofe.

Bom, Açaí, conforme o glossário acima, é uma árvore bem grande e tem seu nome derivado do Tupi, onde significa “fruto que chora”. Tá, até daria pra fazer um paralelo desse significado, mas acho que seria viagem demais. Também vou ignorar o fato do poder calórico da fruta, já que na época que essa letra foi escrita isso não era tão divulgado, muito menos moda.

Fuçando pela internet (leia-se wikipedia), achei a lenda do açaí, que originou o nome (é bonitinha, então vale à pena postar):

“Conta a lenda que existia uma tribo indígena muito numerosa. Como os alimentos estavam escassos, era difícil conseguir comida para toda a tribo. Então o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que a partir daquele dia todas as crianças recem-nascidas seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional da tribo.

Até que um dia a filha do cacique, chamada IAÇÃ, deu à luz uma menina que também teve de ser sacrificada. IAÇÃ ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades. Ficando vários dias enclausurada em sua oca e pediu à Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças.

Certa noite de lua IAÇÃ ouviu um choro de criança. Aproximou-se da porta de sua oca e viu sua filhinha sorridente, ao pé de uma grande palmeira. Lançou-se em direção à filha, abraçando – a . Porém misteriosamente sua filha desapareceu.

IAÇÃ, inconsolável, chorou muito até morrer. No dia seguinte seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, porém no rosto trazia ainda um sorriso de felicidade e seus olhos estavam em direção ao alto da palmeira, que se encontrava carregada de frutinhos escuros.

Itaki então mandou que apanhassem os frutos, obtendo um vinho avermelhado que batizou de AÇAÍ, em homenagem a sua filha (IAÇÃ invertido). Alimentou seu povo e, a partir deste dia, suspendeu a ordem de sacrificar as crianças.”

Daí a idéia de que a (árvore) Açaí é guardiã da vida.

(pra entender melhor, Guardão = pessoa que, por forte afeição, defende aguerridamente algo ou alguém; protetor, conservador, depositário)

A parte do “zum de besouro, um imã” na minha opinião representa algo incômodo, mas que não se pode deixar de reparar, olhar, prestar toda a atenção (acredito que aqui ele faz uma metáfora com a paixão).

“Branca é a tez da manhã”: lembram que ele cita a “manhã” no começo da música como um estado de solidão? Dado isso, acredito que o “branco” representa aquilo que não tem cor, que não foi “pintado”. Nesse caso, que a solidão é um estado de falta de emoção, falta de cor. Por isso branco é aquilo que a envolve (a tez).

Desta forma, trocando em miúdos, a letra pode ser resuminda no seguinte:

A solidão é estado de calmaria e de falta de emoção. A paixão dá cor à vida (açaí, guardiã…), chega rápida, fulminante, mas não deixa de ser uma ilusão. Apesar disso, é ela que dá graça à vida, que incomoda mas que ao mesmo tempo não podemos deixar de prestar total atenção, focar todas nossas energiar naquilo.

É, em suma, um paradoxo: a paixão é de fato uma ilusão, mas sem ela a vida não é nada.

Conclusão: Djavan (em especial, com “Açaí”) = gênio

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O que as mulheres querem?

Maio 26, 2008 · Deixe um comentário

Ontem pensando sobre o assunto acho que cheguei à algumas conclusões. Depois de uma conversa com uma amiga em crise com o namorado, depois de escutar e também ter passado por várias brigas, choros, discussões, acho que finalmente encontrei uma resposta pra esse enigma. Pode até ser prepotência minha achar que resolvi esse “mistério” milenar, mas acho que estou no caminho certo.

As mulheres querem alguém…

… que as ame não apesar de seus defeitos, mas também por causa deles (essa é clássica e não fui eu que inveitei). Que saiba muitas vezes escutar ao invés de falar e seja paciente o suficiente pra aguentar uma crise de choro sem dizer que não faz sentido nenhum (famosa TPM). Que às vezes fale mais do que escute porque daquela vez tudo que ela fala não passa de besteira. Que faça declarações de amor, mas não a faça passar vergonha em público por conta disso (aí vai do desconfiômetro de cada casal). Que faça gentilezas porque é uma forma de carinho, mas que não se prenda em babaquices machistas como abrir sempre a porta do carro, pagar todas as saídas e achar que por isso é ele quem manda. Que de vez em quando dê flores – mas não toda hora nem exageradamente, senão deixa de ser especial. Que celebra todas as datas comemorativas que ela considera importante (isso pode incluir meses de namoro, do 1o beijo, de quando se conheceram) e que em todas as datas comemorativas que todo mundo acha importante faça alguma coisa memorável (não precisa dar presente, necessariamente, mas tem que ser algo que depois ela vá se lembrar). Que não acha que porque estão juntos há 1, 5, 10 ou 50 anos que pode se comportar como um primata (isso inclui fazer a barba, sair cheiroso, cortar as unhas dos pés e, em alguns casos, a higiene pessoal). Que faz planos para o futuro e tenta fazer do presente um meio de chegar lá. Que às vezes abra mão dos seus compromissos pelos dela. Que entenda que todo relacionamento tem suas crises, mas não é por isso que as coisas não vão dar certo. Que seja um pouco ciumento às vezes, mas que saiba parar quando isso incomoda. Que respeite as coisas que ela gosta, mas não seja um demente fingindo gostar (isso inclui mulheres de 25 anos comprando na loja da Hello Kitty) e que principalmente não imponha seus gostos (os clássicos são filmes de ação, gosto por armas, futebol). Que pelo menos tente gostar da sua família. Que seja companheiro em todas as horas. Que consiga conversar sobre assuntos sérios que não necessariamente tem a ver com os dois. Que seja amigo, namorado e irmão em certas horas. E, acima de tudo, que faça com que ela se sinta especial todos os dias, que se importe e se eforce em fazer isso e se sinta culpado quando não o faz…

… Isso é o que as mulheres querem, mas elas nunca vão dizer. Pra quem quiser economizar o tempo de tentar descobrir, fica a dica.

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Sobre todas as coisas…

Maio 19, 2008 · 1 Comentário

Preciso fazer um desabafo: eu não entendo porque não existe coisa mais (des)humana que sofrer. E não entendo porque Deus (ou qualquer entidade superior que se entenda como tal) colocou mais de 6 bilhões de almas aqui pra sofrer, do começo ao fim das vidas.

Desde que nascemos estamos sofrendo e fazendo os outros sofrer. Dizem que a primeira entrada de ar nos pulmões arde, dói e é o que faz a criança chorar. A mãe também sofre horrores…

Aí passamos a vida inteira sofrendo – com problemas nossos, dos outros, de saúde, trabalho. E qualquer momento em que nos esquecemos disso, dizemos que estamos felizes – a felicidade é a ausência de sofrimento.

Depois as pessoas ficam doentes, envelhecem… E como se não bastasse tudo que já passaram a vida inteira, sofrem mais ainda, até que Deus tenha piedade e faça alguma coisa… Quer dizer… NÃO FAZ SENTIDO NENHUM!

Também já ouvi dizer que estamos na Terra pra pagar pecados (aquela história de Adão e Eva e blablablá), mas que pecados? O que eu fiz que tenho que pagar? Não seria justo pelo menos se eu soubesse? E também, desculpe, mas falar que eu tenho que passar por tudo isso pra pagar os pecados de uma fulana tonta que comeu uma maçã também já é demais…

Resumindo: eu não entendo o sofrimento. Não entendo porque as pessoas têm que passar por isso. Não entendo porque tanta gente morreu em Mianmar e na China. Não entendo porque tanta gente morre na África. E, principalmente, não entendo porque pessoas boas têm que sofrer – não entendo a vontade, muito menos a justiça divina.

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